Meditações e Leituras para a Romaria Quaresmal 2016

Neste Ano Jubilar, o Grupo Coordenador propõe  14 meditações  e 7 Esquemas para a Liturgia da Palavra, para a Romaria Quaresmal. Assim sendo, estão disponíveis em anexo as Meditações (Obras de Misericórdia) e os Esquemas para a Liturgia da Palavra das Eucaristias Feriais  (1ªLeitura, Salmo, Evangelho, Oração Universal).

 

JUBILEU DA MISERICÓRDIA

O QUE É UM JUBILEU OU ANO JUBILAR?

 

  • Origem Bíblica

Encontramos a sua origem no capítulo 25 do Livro do Levítico (anexo 1). Neste texto vemos que ao fim de cada 6 anos os Hebreus viviam um ano sabático (de descanso). Após cada 7 ciclos de 7 anos (o que é igual a 49 anos) era proclamado, a cada 50 anos, ao som da trombeta, um Jubileu ou Ano Jubilar, um ano de perdão em que todo o povo hebreu tinha de deixar descansar a terra, perdoar as dívidas e libertar os escravos.

 

  • Origem Etimológica

Jubileu tem a sua origem em hebraico na palavrayovel, isto é, o instrumento (um chifre de animal) que servia de trombeta para anunciar o ano festivo ou no verbotrazer de volta,” pois durante este ano as propriedades eram devolvidas aos seus donos e aos escravos era devolvida a liberdade. Jubileu provém também da palavra latinaiubilum” que significa “grito de alegria“.

 

  • Significado Actual

Hoje tem sobretudo um sentido espiritual. É um tempo forte, de perdão, um ano santo durante o qual o Papa concede graças espirituais especiais e indulgências (anexo 2). Pode ainda significar um ano especial de carácter local ou particular, num momento ou aniversário solene como o quinquagésimo aniversário de função, atividade, instituição, etc.

 

  • Quem convoca? Como?

O Papa. É publicada uma Bula de convocação, isto é, uma carta do Papa com as orientações e objetivos para o Jubileu.

 

  • Qual a sua periodicidade?

Um Jubileu acontece ordinariamente a cada 25 anos, período atualmente estabelecido, ou de modo extraordinário, sempre que o Papa pretenda celebrar algum acontecimento ou data de forma especial.

 

O primeiro Jubileu foi convocado pelo Papa Bonifácio VIII em 1300 e ficou instituído a sua celebração a cada 100 anos, mas em 1350 anos passa para um ter um intervalo de 50 anos. No Jubileu de 1475, o Papa Sisto IV reduz o período para 25 anos e foi também que se popularizou denominar-se de Ano Santo.

O Jubileu da Misericórdia será o 29º Ano Santo da História da Igreja. O último foi proclamado no ano 2000, por João Paulo II. Em 1975, logo a seguir ao Concilio Vaticano II, muitos questionavam se um ano jubilar ainda fazia sentido, uma vez que trazia um forte marca negativa da Igreja medieval, mas Paulo VI reformulou a ideia de Jubileu a partir da fundamentação que conferiu e este ano santo: a alegria, a renovação interior e a reconciliação.

 

  • Porquê se inicia um Jubileu com a abertura da Porta Santa?

Encontramos o seu fundamento na afirmação de Jesus. “Eu sou a porta. Quem entra por Mim será salvo. Entrará e sairá e encontrará pastagem” (Jo 10, 9).

O Papa Martinho V abriu pela primeira vez a Porta Santa da Basílica do Latrão como marco inicial do Jubileu de 1423. Somente em 1499 o costume foi estendido à Porta Santa da Basílica de São Pedro, por desejo de Alexandre VI.  O rito de abertura conheceu algumas alterações no Jubileu de 1950, com Paulo VI e no ano 2000, por João Paulo II simplificou-o.

JUBILEU DA MISERICORDIA

 

  • Anuncio

No dia 13 de Março de 2015, 2º Aniversário da Eleição Papa Francisco na Basílica de São Pedro:  “Decidi convocar um Jubileu Extraordinário que tenha o seu centro na Misericórdia de Deus. Será um Ano Santo da Misericórdia. Queremos vivê-lo à luz da palavra do Senhor: «Sede misericordiosos como o Pai» (cf. Lc 6, 36)”

 

  • Convocatória

No dia 11 de Abril de 2015, na celebração das Primeiras Vésperas do II Domingo de Páscoa ou Domingo da Divina Misericórdia na Basílica de São Pedro: “Presente no coração de muitos está esta pergunta: Por que motivo um Jubileu da Misericórdia, hoje? Simplesmente porque a Igreja é chamada a (…) permanecermos vigilantes e despertarmos em nós a capacidade de fixar o essencial. É o tempo para a Igreja reencontrar o sentido da missão que o Senhor lhe confiou no dia de Páscoa: ser sinal e instrumento da misericórdia do Pai (cf. Jo 20, 21-23).

  • Quando será o Jubileu da Misericórdia?

“A Porta da Misericórdia abrir-se-á no dia 8 de Dezembro de 2015, solenidade da Imaculada Conceição e terminará na solenidade litúrgica de Jesus Cristo, Rei do Universo, 20 de Novembro de 2016

 

  • Porquê nestas datas?

“A solenidade da Imaculada Conceição por dois motivos: indica o modo de agir de Deus desde os primórdios da nossa história. Depois do pecado de Adão e Eva, Deus não quis deixar a humanidade sozinha e à mercê do mal. Por isso, pensou e quis Maria santa e imaculada no amor” e porque se assinala “o cinquentenário da conclusão do Concílio Ecuménico Vaticano II. A Igreja sente a necessidade de manter vivo aquele acontecimento.”

“Na solenidade de Jesus Cristo, Rei do Universo, ao fechar a Porta Santa, animar-nos-ão, antes de tudo, sentimentos de gratidão e agradecimento à Santíssima Trindade por nos ter concedido este tempo extraordinário de graça (…) Confiaremos a vida da Igreja, a humanidade inteira, o universo imenso à Realeza de Cristo.

  • Onde se celebra o Jubileu?

“O Jubileu será celebrado, quer em Roma quer nas Igrejas particulares, como sinal visível da comunhão da Igreja inteira.

 

  • Qual o lema escolhido para este Ano Jubilar?

“ Queremos viver este Ano Jubilar à luz desta palavra do Senhor: Misericordiosos como o Pai (Lc 6, 36). É um programa de vida tão empenhativo como rico de alegria e paz. O imperativo de Jesus é dirigido a quantos ouvem a sua voz (cf. Lc 6, 27). Portanto, para ser capazes de misericórdia, devemos primeiro pôr-nos à escuta da Palavra de Deus. Isso significa recuperar o valor do silêncio, para meditar a Palavra que nos é dirigida. Deste modo, é possível contemplar a misericórdia de Deus e assumi-la como próprio estilo de vida.

 

  • Como celebrar o Ano Santo?

Alguns dos meios apresentados pelo Papa: “Abrir o coração àqueles que vivem nas mais variadas periferias existencial; É meu vivo desejo que o povo cristão reflicta, sobre as obras de misericórdia corporal e espiritual; A Quaresma seja vivida mais intensamente como tempo forte para celebrar e experimentar a misericórdia de Deus; A peregrinação é um sinal peculiar no Ano Santo, enquanto ícone do caminho que cada pessoa realiza na sua existência; é minha intenção enviar os Missionários da Misericórdia; O Jubileu inclui também o referimento à indulgência (anexo 3) (…) pedindo ao Pai o perdão dos pecados e a indulgência misericordiosa em toda a sua extensão; onde a Igreja estiver presente, aí deve ser evidente a misericórdia do Pai. Nas nossas paróquias, nas comunidades, nas associações e nos movimentos – em suma, onde houver cristãos –, qualquer pessoa deve poder encontrar um oásis de misericórdia.

 

  • ANEXO 1

 

LEVÍTICO 25

 

Ano Sabático (Ex 23,10-11; Dt 15,1-11) – 1O SENHOR falou a Moisés, no monte Sinai, nestes termos: 2«Fala aos filhos de Israel, e diz-lhes: ‘Quando entrardes na terra que vos dou, a terra gozará de um descanso, em honra do SENHOR. 3Semearás o teu campo durante seis anos, durante seis anos podarás as tuas vinhas e recolherás os seus frutos.

4Mas, no sétimo ano, será concedido à terra um descanso, um sábado, em honra do SENHOR: não semearás o teu campo, nem podarás a tua vinha. 5Não colherás o que nascer espontaneamente dos grãos caídos durante a ceifa, nem vindimarás as uvas da tua vinha que não foi podada. Será um ano sabático para a terra6O que a terra produzir durante o seu descanso, servir-vos-á de alimento, a ti, ao teu escravo, à tua serva, ao teu jornaleiro e ao inquilino que vive contigo. 7Também o teu gado, assim como os animais selvagens da tua terra, poderão alimentar-se com todos esses frutos.’»

Ano jubilar – 8«Contarás sete semanas de anos, isto é, sete vezes sete anos; de forma que a duração de estas sete semanas de anos corresponderá a quarenta e nove anos9Depois, farás ressoar fortemente a trombeta, no décimo dia do sétimo mês. No dia do grande Perdão, fareis ressoar o som da trombeta através de toda a vossa terra. 10Santificareis o quinquagésimo ano, proclamando na vossa terra a liberdade de todos os que a habitam. Este ano será para vós um Jubileu; cada um de vós voltará à sua propriedade, e à sua família.

11O quinquagésimo ano é o ano do Jubileu: não semeareis, não colhereis do que cresce espontaneamente, nem vindimareis as vinhas que não foram podadas. 12Porque é o Jubileu, deve ser uma coisa santa para vós e comereis o produto dos campos. 13Neste Jubileu, cada um de vós recobrará a sua propriedade. 14Quando fizeres uma venda ao teu próximo, ou se comprares alguma coisa, não vos prejudiqueis um ao outro. 15Farás essa compra ao próximo, tendo em conta os anos decorridos depois do Jubileu, e ele fará essa venda tendo em conta os anos das colheitas. 16Conforme os anos forem mais ou menos numerosos, assim tu pagarás mais ou menos pelo que adquirires, porque é um número de colheitas que ele te vende. 17Não vos prejudiqueis uns aos outros. Teme o teu Deus, porque Eu sou o SENHOR, vosso Deus.»

Promessas para o Ano Sabático 18«Cumpri as minhas leis, guardai os meus preceitos; ponde-os em prática para habitardes em segurança na terra. 19A terra dará os seus frutos, com os quais vos sustentareis abundantemente, e nela residireis em segurança. 20Se disserdes: ‘Que comeremos no sétimo ano, pois não podemos semear nem colher as nossas colheitas?’21Então, Eu vos concederei a minha bênção no sexto ano, de tal forma que produzirá a colheita de três anos; 22e quando semeardes no oitavo ano, comereis da colheita anterior até ao nono ano. Até que se proceda à sua colheita, vivereis da anterior.»

Resgate da propriedade e dos escravos – 23«Nenhuma terra será vendida definitivamente porque a terra pertence-me, e vós sois apenas estrangeiros e meus hóspedes. 24Portanto, concedereis o direito de resgate a todas as terras que forem da vossa propriedade. 25Se o teu irmão cair na pobreza e vender uma parte da sua propriedade, a que tem direito de resgate, o seu parente mais próximo deve ir resgatar o que o seu irmão vendeu.

26Se um homem não tiver ninguém que resgate a sua propriedade e conseguir encontrar meios suficientes para o seu resgate, 27calculará os anos da sua venda, pagará o restante ao homem que lhe comprou e, deste modo, recobrará a sua propriedade. 28Se não tiver recursos suficientes para o resgate, o objecto vendido continuará na posse do comprador até ao Jubileu; no Jubileu, ficará livre e voltará à sua propriedade.

29Se um homem vender uma casa de habitação, situada numa cidade murada, o direito de resgate durará até ao fim do ano da venda; o seu direito ao resgate durará um ano inteiro. 30Se a casa, situada numa cidade murada, não for resgatada no prazo de um ano inteiro, pertencerá definitivamente ao comprador e aos seus descendentes; no Jubileu não ficará livre. 31Mas as casas das aldeias, não rodeadas de muros, serão consideradas como os campos do país; poderão ser resgatadas e ficarão livres no Jubileu. 32Quanto às cidades dos levitas, e às casas situadas nas cidades que lhes pertencem, os levitas terão sempre o direito de as resgatar. 33Se um levita não resgata a sua casa vendida numa cidade da sua propriedade, a casa ficará livre no Jubileu, porque as casas situadas nas cidades dos levitas são a sua propriedade entre os filhos de Israel. 34Uma terra situada nos arrabaldes das suas cidades não pode ser vendida; porque essa é uma propriedade que lhes pertence para sempre.»

Empréstimo sem juros – 35«Se um dos teus irmãos empobrecer e não satisfizer as suas obrigações para contigo, protegê-lo-ás, mesmo que seja um estrangeiro ou um inquilino, e deixa-o viver contigo. 36Não receberás dele juros nem lucro algum, mas teme o teu Deus para que o teu irmão viva contigo. 37Não lhe emprestes o teu dinheiro com juros, nem lhe dês os teus mantimentos para disso tirar proveito.

38Eu sou o SENHOR, vosso Deus, que vos fez sair da terra do Egipto, para vos dar a de Canaã, a fim de ser o vosso Deus.»

Lei da escravatura (Ex 21,2-11; Dt 15,12-18) – 39«Se o teu irmão empobrecer, junto de ti, e se se vender a ti, não exigirás dele um trabalho de escravo40Estará contigo como um jornaleiro, como um inquilino; servirá em tua casa até ao ano do Jubileu. 41Então, sairá da tua casa, assim como os seus filhos; voltará para a sua família e recobrará os bens dos seus pais.42Porque são meus servos, que fiz sair da terra do Egipto, não devem ser vendidos como se vende um escravo. 43Não o domines com dureza para temeres o teu Deus.

44O escravo ou a escrava que pretendais adquirir devem sair dos povos estrangeiros que vos rodeiam; poder-lhes-eis comprar escravos e escravas. 45Podê-los-eis, também, comprar entre os filhos dos estrangeiros que residam no meio de vós, entre as suas famílias que vivem convosco e entre os filhos que lhes nascerem no vosso país, e serão propriedade vossa. 46Podeis deixá-los em herança aos vossos filhos, a fim de que os possuam depois de vós, tratando-os perpetuamente como escravos; quanto aos vossos irmãos, os filhos de Israel, que ninguém domine o seu irmão com dureza. 47Se o estrangeiro que vive junto de ti adquirir riquezas, e o teu irmão, seu vizinho, empobrecido, se vender a esse estrangeiro que vive junto de ti ou ao descendente de uma família estrangeira, 48terá direito a resgate, depois de se ter vendido: um dos seus irmãos resgatá-lo-á. 49Será ainda resgatado pelo seu tio, pelo filho do seu tio, ou por qualquer outro dos seus parentes e da sua família; mas, se adquirir meios, resgatar-se-á a si mesmo. 50Neste caso, calculará, com aquele que o comprou, o intervalo entre o ano em que se vendeu e o ano do Jubileu, e o preço da sua venda será contado pelo número de anos, segundo o ordenado de um jornaleiro. 51Se faltarem ainda muitos anos, pagará pelo seu resgate uma parte proporcional do preço de aquisição. 52E se ficarem poucos anos até ao ano do Jubileu, tê-lo-á em conta; pagará o seu resgate em proporção ao número de anos. 53Estará na casa do comprador como jornaleiro ao ano, e tu não permitirás que ele o domine com dureza na tua presença. 54E, se não foi resgatado de nenhuma dessas maneiras, ficará livre no ano do Jubileu, tanto ele como os seus filhos.

55Porque os filhos de Israel só a mim pertencem como escravos: são os meus servos, que Eu fiz sair da terra do Egipto, Eu, o SENHOR vosso Deus.»

capuchinhos.org

  • ANEXO 2

PENITENCIARIA APOSTÓLICA

O DOM DA INDULGÊNCIA

O  dom  da  indulgência  manifesta  a plenitude  da  misericórdia  de  Deus, que  é  expressa em  primeiro  lugar no sacramento  da  Penitência  e  da  Reconciliação. Esta antiga prática, acerca da qual não  faltaram  incompreensões  históricas,  deve  ser  bem  compreendida  e acolhida.

A reconciliação com Deus, embora seja dom da Sua misericórdia, implica um processo em que o homem está envolvido no seu empenho pessoal, e a Igreja, na sua missão sacramental. O caminho de reconciliação tem o seu centro no sacramento da Penitência, mas também depois do perdão do pecado, obtido mediante esse sacramento, o ser humano permanece marcado por aqueles “resíduos” que não o tornam totalmente aberto à graça, e precisa de purificação e daquela renovação total do homem em virtude da graça de Cristo, para cuja obtenção o dom da indulgência lhe é de grande ajuda.

Entende-se por indulgência a “remissão, perante Deus, da pena temporal devida aos pecados cuja culpa já foi apagada; remissão que o fiel devidamente disposto obtém em certas e determinadas condições pela acção da Igreja que, enquanto dispensadora da redenção, distribui e aplica, por sua autoridade, o tesouro das satisfações de Cristo e dos Santos” (Enchiridion indulgentiarum, Normae de indulgentiis, Libreria Editrice Vaticana 1999, pág. 21; Catecismo da Igreja Católica, n. 1471).

A seguinte nota da Penitenciaria Apostólica recorda as disposições necessárias para obter com fruto a indulgência jubilar.

As celebrações do Ano jubilar não são só ocasião singular para aproveitar o grande dom que o Senhor nos faz das Indulgências mediante a Igreja, mas também são felizes oportunidades para evocar à consideração dos fiéis a catequese sobre as Indulgências. Por isso a Penitenciaria Apostólica publica, em benefício de quantos realizam as visitas jubilares, este aviso sagrado:

Apelos de índole geral sobre as Indulgências

  1. A Indulgência é assim definida no Código de Direito Canónico (cf. cân. 992) e no Catecismo da Igreja Católica(n. 1471):  “A indulgência é a remissão, perante Deus, da pena temporal devida aos pecados cuja culpa já foi apagada; remissão que o fiel devidamente disposto obtém em certas e determinadas condições pela acção da Igreja que, enquanto dispensadora da redenção, distribui e aplica, por sua autoridade, o tesouro das satisfações de Cristo e dos Santos”.
  2. Em geral, a obtenção das Indulgências exige determinadas condições (ver abaixo nn. 3 e 4) e o cumprimento de certas obras (ver nn. 8 e10, onde se indicam as que são próprias do Ano Santo).
  3. Para obter as Indulgências, tanto plenárias como parciais, é preciso que, pelo menos antes de cumprir as últimas disposições da obra indulgenciada, o fiel esteja em estado de graça.
  4. Indulgência plenáriasó pode ser obtida uma vez por dia. Mas para a conseguir, além do estado de graça, é necessário que o fiel tenha a disposição interior do completo afastamento do pecado, mesmo só venial; se confesse sacramentalmente dos seus pecados; receba a Santíssima Eucaristia (certamente é melhor recebê-la participando na Santa Missa:  mas para a Indulgência só é necessária a sagrada Comunhão); ore segundo as intenções do Sumo Pontífice.
  5. É conveniente, mas não é necessário que a Confissão sacramental, e em especial a sagrada Comunhão e a oração pelas intenções do Papa sejam feitas no mesmo dia em que se cumpre a obra indulgenciada, mas é suficiente que estes ritos sagrados e orações se cumpram dentro de alguns dias (cerca de 20), antes ou depois do acto indulgenciado. A oração segundo a intenção do Papa é deixada à escolha do fiel, mas sugere-se um “Pai Nosso” e uma “Ave Maria”. Para diversas Indulgências plenárias, é suficiente uma Confissão sacramental, mas requerem-se uma distinta sagrada  Comunhão  e  uma distinta  prece,  segundo  a  intenção  do Santo  Padre,  para  cada Indulgência plenária.
  6. Os confessores podem comutar, em favor daqueles que estão legitimamente impedidos, quer a obra prescrita quer as condições requeridas (excepto, obviamente, a separação do pecado, mesmo venial).
  7. As Indulgências são sempre aplicáveis a si próprio ou às almas dos defuntosmas não a outras pessoas vivas sobre a terra.

Aspectos próprios do Ano jubilar

Tendo em vista as necessárias condições, de que se fala nos números 3 e 4, os  fiéis  podem  obter  a  indulgência jubilar  cumprindo  uma  das  seguintes obras expressas  a  seguir  em  três categorias.

  1. Obra de piedade ou religião fazer uma piedosa peregrinação a um Santuário ou Lugar jubilar (em Roma:  uma das 4 Basílicas patriarcais – São Pedro, São João de Latrão, Santa Maria Maior, São Paulo fora dos Muros – ou a Basílica da Santa Cruz de Jerusalém, a Basílica de São Lourenço “al Verano”, o Santuário de Nossa Senhora do Divino Amor ou uma das Catacumbas cristãs), participando ali na Santa Missa, noutra celebração litúrgica (Laudes ou Vésperas) ou num exercício de piedade (Via-Sacra, Rosário, recitação do hino Akathistos,etc.); ou fazer uma visita piedosa, em grupo ou singularmente, a um dos próprios lugares jubilares, fazendo ali a adoração eucarística e piedosas meditações, concluindo-as com o “Pai Nosso”, o “Credo” e uma invocação à Virgem Maria.
  2. Obra de misericórdia ou caridade: visitar, durante um tempo adequado, irmãos em necessidade ou em dificuldade (doentes, prisioneiros, anciãos sozinhos, deficientes, etc.), como que realizando uma peregrinação a Cristo presente neles; ou sustentar com um significativo contributo obras de carácter religioso ou social (a favor da infância abandonada, da juventude em dificuldade, dos anciãos necessitados, dos estrangeiros nos vários países, em busca de melhores condições de vida); ou então dedicar uma certa parte do próprio tempo livre a actividades úteis para a comunidade ou outras formas semelhantes de sacrifício pessoal.
  3. Obra de penitênciapelo menos por um dia: abster-se de consumos supérfluos (fumo, bebidas alcoólicas, etc.) ou jejuar; ou fazer abstinência de carne (ou de outro alimento, segundo as especificações dos Episcopados),oferecendo uma proporcionada quantia aos pobres.

Dado em Roma, na sede da Penitenciaria Apostólica, 29 de Janeiro de 2000.

WILLIAM WAKEFIELD Card. BAUM
Penitenciário-Mor

LUIGI DE MAGISTRIS
Regente

  • ANEXO 3

          Nº 22 da Bula de Convocação do Jubileu da Misericórdia

22. O Jubileu inclui também o referimento à indulgência. Esta, no Ano Santo da Misericórdia, adquire uma relevância particular. O perdão de Deus para os nossos pecados não conhece limites. Na morte e ressurreição de Jesus Cristo, Deus torna evidente este seu amor que chega ao ponto de destruir o pecado dos homens. É possível deixar-se reconciliar com Deus através do mistério pascal e da mediação da Igreja. Por isso, Deus está sempre disponível para o perdão, não Se cansando de o oferecer de maneira sempre nova e inesperada. No entanto todos nós fazemos experiência do pecado. Sabemos que somos chamados à perfeição (cf. Mt 5, 48), mas sentimos fortemente o peso do pecado. Ao mesmo tempo que notamos o poder da graça que nos transforma, experimentamos também a força do pecado que nos condiciona. Apesar do perdão, carregamos na nossa vida as contradições que são consequência dos nossos pecados. No sacramento da Reconciliação, Deus perdoa os pecados, que são verdadeiramente apagados; mas o cunho negativo que os pecados deixaram nos nossos comportamentos e pensamentos permanece. A misericórdia de Deus, porém, é mais forte também do que isso. Ela torna-se indulgência do Pai que, através da Esposa de Cristo, alcança o pecador perdoado e liberta-o de qualquer resíduo das consequências do pecado, habilitando-o a agir com caridade, a crescer no amor em vez de recair no pecado.

A Igreja vive a comunhão dos Santos. Na Eucaristia, esta comunhão, que é dom de Deus, realiza-se como união espiritual que nos une, a nós crentes, com os Santos e Beatos cujo número é incalculável (Ap 7, 4). A sua santidade vem em ajuda da nossa fragilidade, e assim a Mãe-Igreja, com a sua oração e a sua vida, é capaz de acudir à fraqueza de uns com a santidade de outros. Portanto viver a indulgência no Ano Santo significa aproximar-se da misericórdia do Pai, com a certeza de que o seu perdão cobre toda a vida do crente. A indulgência é experimentar a santidade da Igreja que participa em todos os benefícios da redenção de Cristo, para que o perdão se estenda até às últimas consequências aonde chega o amor de Deus. Vivamos intensamente o Jubileu, pedindo ao Pai o perdão dos pecados e a indulgência misericordiosa em toda a sua extensão.

ENCONTRO DE RESPONSÁVEIS DO MRSM

Lagoa, 18 de Outubro de 2015

Pe. Nuno Maiato

 

PDF (MRSM) JUBILEU DA MISERICÓRDIA

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PEREGRINOS EM ROMA

No passado dia 3 de dezembro, o Movimento dos Romeiros de São Miguel esteve em Roma. Embora só tenham estado fisicamente dois elementos do grupo coordenador, a verdade é que quando o Papa Francisco se nos dirigiu, “aos peregrinos de língua portuguesa”, referindo especificamente os “membros das Romarias Quaresmais de São Miguel, uma ilha dos Açores”, não foram só os irmãos Ildeberto Garcia e João Carlos, a serem nomeados. Foram todos os irmãos romeiros que, durante todo o ano, rezam e procuram o rosto de Deus, com especial incidência no período da Quaresma. Foi a todos eles que o papa Francisco cumprimentou, agradecendo esta peregrinação e todas as outras que habitualmente os romeiros fazem.

Independentemente de termos feito uma ou 50 romarias, ouvir uma referência aos Romeiros de São Miguel pela voz do Papa, na Praça de São Pedro, no Vaticano, em alto e bom som para o mundo inteiro, é algo que jamais este movimento poderá esquecer. Como estão recordados, no último retiro que fizemos antes da Quaresma, na Escola Secundária da Ribeira Grande, o senhor Bispo lançou uma semente: o Papa Francisco exorta-nos permanentemente a sermos missionários, a sermos evangelizadores, a sairmos do Templo, indo ao encontro do outro e isto é o que os romeiros fazem. “Vou escrever uma carta ao Santo Padre a dar-lhe conta de que há cerca de 500 anos, em São Miguel, há já grupos de homens que saem à rua para rezar, em penitência”.

Se bem o pensou melhor o fez e a resposta não tardou.

Quando iniciamos as romarias quaresmais já tínhamos uma indicação do prelado para orarmos pelo Santo Padre, como aliás sempre fazemos, mas, desta vez, D. António pediu mais. Que nenhum rancho se esquecesse de rezar em intenção do Santo Padre, pedir por ele. Afinal, o mote do seu pontificado tinha ficado marcado pela necessidade de espalhar a Alegria do Evangelho, e isso é a essência do nosso movimento.

O Bispo de Angra queria que o Santo Padre soubesse que nos Açores muita gente já fazia isso.

Dois meses de volta, na caixa do correio, lá estava a missiva do Vaticano, a acusar a receção da carta enviada por D. António e o reconhecimento da importância destas romarias para sedimentar a fé entre os homens.

As romarias que levaram à estrada 56 ranchos, onde couberam 2452 romeiros, e as famílias de todos eles, os amigos e cada um que se nos dirigiu, não podiam ter respondido de forma mais positiva a este desafio proposto pelo Bispo de Angra, e não houve um só romeiro que durante os sete dias da semana não tivesse feito uma oração em intenção de Francisco.

Perante tanta generosidade e tanto entusiasmo, surgiu a ideia de enviar ao Papa um ramalhete espiritual, com um número aproximado de orações e, sobretudo, com um enquadramento do que é o movimento, do que são as romarias quaresmais, como se desenrolam no espaço e no tempo e quem participa nelas, sendo que o passo seguinte era entregar diretamente ao Santo Padre esta missiva. Parecia uma utopia, algo intangível, coisa para outros e não para os romeiros, homens de bolsos vazios, despojados de tudo, menos dessa sede de seguir Jesus.

Esta peregrinação parecia até mais difícil do que a nossa Romaria. Mas depois de devidamente amadurecida, ponderada e refletida, lá fomos. De um momento para o outro, como os primeiros cristãos quando deixaram de poder peregrinar à Terra Santa e começaram a peregrinar a Roma, cabeça da Cristandade.

Esta ida foi, pois, um regresso às origens.

A intercessão de Nossa Senhora foi decisiva para alcançar este objetivo. É verdade que contávamos com o empenho pessoal do Senhor Bispo e também na Cúria Romana, com Monsenhor Bettencourt, ele próprio romeiro, duas peças essenciais desta nossa peregrinação. Sem eles, não teríamos conseguido o que quer que fosse. Mas a nossa ida a Roma traz-nos outras responsabilidades que se traduzem no aprofundamento da comunhão entre este movimento e a Igreja Universal.

O que fizemos em intenção do Santo Padre é o que fazemos diariamente por todos: agradecer, louvar e rezar a Deus, procurando-nos n’Ele e obtendo d’Ele as respostas de que necessitamos.

Há um sonho do qual nunca podemos desistir: o sonho de que cada um de nós, na sua paróquia, na sua comunidade, na sua família, saiba ser verdadeiramente romeiro. Saiba caminhar pela estrada, sem nenhuma pressão exterior, que se entregue ao outro e se alimente da fé, não para enganar a fome, mas deixando que a alma se alimente e se revitalize: no silêncio e na palavra, no encontro e no dom, na escuta e na prece.

No fundo, o que esta peregrinação a Roma nos vem dizer é que devemos continuar a ser peregrinos, cada vez mais experimentados e mais reconciliados com o que é decisivo, um pouco na linha de Isaías (Is 65,1): “Eu fiz-me ouvir junto de quem não perguntou por mim, deixei-me achar por quem não me buscou”. Peguemos, por isso, naquela sugestão que Jesus faz aos discípulos, mais do que uma vez: “passemos para a outra margem” (Mc 4,35).

Vamos continuar a ser romeiros!

NATAL DE AMOR

Natal é a presença de Jesus em nossos corações Não só representa a fé, mas a vida O nascimento do Filho de Deus A consciência de família, amor, paz, felicidade Que o sentido do Natal esteja sempre presente em nosso dia a dia E que a esperança seja um objetivo concretizado Que a luz do Menino Jesus percorra cada lar Trazendo alegria aos nossos corações Que a fraternidade universal seja nossa meta e Que haja somente amor em meio a tempos difíceis Assim encontraremos a paz tão almejada O Natal do amor é a fé e esperança renascidas nos olhos de uma criança! Feliz Natal!