Romeiros de São Miguel refletem sobre a sede da água da vida a partir do episódio bíblico do Poço de Jacob

Encontro com a Samaritana, no Evangelho de São João, inspira tema do retiro anual dos Romeiros que se realiza este domingo, e que será orientado pelo padre José Júlio Rocha

Os Romeiros de São Miguel iniciam a sua caminhada para esta Quaresma com o retiro anual que se realizará no próximo domingo, dia 19 de janeiro, a partir das 8h30, na Escola Gaspar Frutuoso, na Ribeira Grande, na ilha de São Miguel.

Orientados pelo Prefeito de Estudos do Seminário Episcopal de Angra, padre José júlio Rocha, os participantes vão refletir sobre a sede de Jesus, manifestada à sua passagem pela Samaria, onde se encontra com uma mulher a quem pede de beber.

O tema “Poço de Jacob” irá ser refletido em três momentos- dois da parte da manhã e um ao inicio da tarde- havendo ainda a possibilidade de diálogo durante o período a que chamam de plenário. O encontro terminará com a celebração da Eucaristia, às 16h00.

O Movimento Romeiros de São Miguel constituiu-se em Associação cívica há cerca de três anos e conta atualmente com a participação sistemática de 53 ranchos nas romarias que habitualmente atravessam as estradas da maior ilha dos Açores numa marcha a pé do nascer até ao por do sol, durante uma semana, no período da Quaresma. Os primeiros ranchos saem no primeiro sábado da Quaresma e os últimos ranchos recolhem na quinta feira santa.

As romarias quaresmais de São Miguel cumprem em 2022 quinhentos anos, altura em que a Associação Movimento Romeiros de São Miguel pretende candidatar estas manifestações penitenciais, que também se realizam na Terceira e na Graciosa, embora há menos tempo e com uma romaria mais curta, a Património Imaterial da Unesco.

As romarias quaresmais mobilizam anualmente entre 2000 e 2500 homens e constituem uma das mais importantes manifestações da religiosidade popular nos Açores.

igrejaacores.pt

“Pesquisar, conhecer e proteger” é o desafio dos Romeiros para os próximos dois meses

Projecto de recolha de imagens e testemunhos com vista à elaboração de uma candidatura sustentada a Património da Humanidade começa agora

O Movimento de Romeiros de São Miguel inicia este mês a recolha de imagens e testemunhos com vista à construção de um acervo documental que possa, por um lado, preservar a memória deste movimento único e, por outro lado, fundamentar uma candidatura das Romarias Quaresmais a Património Imaterial da Humanidade, por altura dos 500 anos, que se assinalam em 2022.

“É com sentimentos de muita Alegria, Fé e Esperança que iniciamos a enorme e importante  Caminhada” refere o presidente da Associação num texto publicado esta sexta feira no jornal A Crença, onde mensalmente o Movimento assina uma página.

Esta Caminhada assume várias vertentes desde a recolha em vídeo e áudio até aos trabalhos de análise do conteúdo temático/informativo da documentação existente na Casa do Romeiro; separação e catalogação da documentação; higienização do acervo até ao acondicionamento definitivo, contando para o efeito com a colaboração de técnicos especializados.

Esta recolha de testemunhos, que será feita pelo romeiro Fernando Resendes visa  “salvar do esquecimento a ainda vasta tradição oral do Romeiro de São Miguel que naturalmente se vai transformando com o tempo” refere o texto já citado, assegurando que o registo seguirá sempre uma metodologia:  o que foi o quotidiano do romeiro durante a romaria bem como toda a envolvência que abraça esta prática naqueles dias da Quaresma: a família, as pernoitas, as refeições, cânticos, orações, etc.

No início do próximo ano, deverá ser ainda contratado um Técnico de Museologia e Património para pesquisar, recolher e, em parceria com a Direção Regional da Cultura, criar um dossier para enviar para o Registo de Património Cultural Imaterial Nacional todo o acervo das romarias, desde o século XVI até aos nossos dias.

“É um trabalho de enorme importância” cujo “objetivo é o de congregar, registar e guardar para memória futura este valor patrimonial, religioso e cultural dos Açores” afirma ainda o texto publicado na página dos Romeiros no jornal da paróquia de São Miguel, em Vila Franca do Campo.

igrejaacores.pt

“SEJAMOS AUTÊNTICOS E ATIVOS”

No início de mais um ano pastoral, o último do nosso mandato, pedimos ao Senhor que caminhe connosco no desenvolvimento das atividades em prol das Romarias Quaresmais e de todos os Romeiros. Que o Senhor nos abençoe com a graça da humildade que as nossas peregrinações quaresmais nos proporcionam.

Que na Romaria da vida sejamos cada vez mais humanistas, testemunhas alegres do Evangelho, solidários para com todos os que estão nas periferias da vida, sempre atentos aos desiquilibrios e às pobrezas que a ganância fomenta.

O Romeiro é testemunha da Esperança e, como tal, é impelido a ter ocupações de cariz social, político e cultural. É nosso dever estarmos preparados para enfrentar os diversos desafios que a nossa sociedade apresenta, praticando os valores cristãos.

Sejamos alegres testemunhas da ressurreição . Que as nossas Romarias sejam jornadas de intensa oração, partilha e são convívio. Descobrindo o que verdadeiramente nos faz felizes e diluindo eventuais estigmas e preconceitos, vivamos a Graça da unidade. Estejamos atentos com a nossa formação catequética, cívica e cultural. Vamos todos trabalhar pelo reconhecimento do Património Cultural Imaterial das Romarias, conhecer a nossa História, as nossas raízes e como as proteger, promovendo, deste modo, a recolha e registo do nosso vasto e diversificado acervo e das nossas atividades contemporâneas.

Seja Sempre Bendita e Louvada a Sagrada Vida, Paixão, Morte e Ressurreição Nosso Senhor Jesus Cristo.

Movimento de Romeiros de São Miguel

Associação de Romeiros e Direção Regional da Cultura assinam protocolo de colaboração

A Associação de Romeiros de São Miguel e a Direção Regional da Cultura assinaram um protocolo de colaboração.

Este protocolo, cuja cerimónia de assinatura decorreu na Casa do Romeiro, em Santa Cruz – Lagoa, estabelece as bases de uma colaboração tendo em vista a realização de ‘um estudo e recolha de dados sobre as romarias micaelenses’.

Para a Diretora Regional da Cultura, Susana Goulart Costa, o objetivo é constituir um dossier que consolide a posterior inscrição desta manifestação no Inventário Nacional do Património Cultural Imaterial.

A inscrição no Inventário Nacional é a única forma de proteger o Património Cultural Imaterial, de acordo com o regime jurídico em vigor em Portugal, salvaguardado pela Direção Geral do Património Cultural de forma integralmente desmaterializada, com recurso exclusivo a tecnologias digitais. 

Para o presidente da Associação de Romeiros de São Miguel este protocolo permitirá “congregar todo um acervo que está disperso”.

Segundo João Carlos Leite, o interesse da Associação é ter um projeto de excelência que servirá muito para a memória futura, tendo explicado que a candidatura a Património Cultural Imaterial da Humanidade mesmo que não aconteça aquando da comemoração dos 500 anos das Romarias, o importante é que a associação não vai desistir desta intenção.

O trabalho será realizado por Creusa Raposo, mestre em Património e Museologia. Segundo esta, primeiramente terá de ser feita uma recolha, o mais detalhada possível, mas que irá permitir ter um suporte histórico e que caraterize este ritual, para depois fazer a respetiva candidatura.

In: Jornal Diário da Lagoa